04 janeiro 2007

A Promessa



Nota: 3

Com o sucesso de O Tigre e o Dragão (2000), do diretor Ang Lee, os lendários guerreiros Wuxia ganharam destaque internacionalmente. Aproveitando a onda, alguns cineastas renomados chineses resolveram embarcar no gênero. Zhang Yimou foi o primeiro com os magníficos Herói (2002) e O clã das Adagas Voadoras (2004). O mais novo a dar a sua versão da elnda é o diretor Chen Kaige, que nos apresenta A Promessa (Wu Ji, 2005).

O filme chega ao circuito laureado com diversos atributos de superlatividade em comparação a outras produções chinesas. Tem no seu currículo o título de produção com a maior quantidade de efeitos especiais e de filme mais caro realizado na China (35 milhões de dólares). Infelizmente, não se pode dizer o mesmo sobre a sua qualidade. A história sobre a mulher que renega o amor em troca de riquezas através de uma promessa feita a uma deusa, não encanta em instante algum. O roteiro é incoerente e cheio de furos. Toda vez que a trama precisa de um empurrão, a tal deusa surge para dar uma mãozinha. São idas e vindas dos personagens sem um motivo. A edição tosca contribui para a salada na narrativa.

E os equívocos não param. As motivações dos personagens não convencem. Os atores declamam as emoções em vez de senti-las. A idéia é que eles estejam envolvidos em um épico trágico, mas fica a impressão de estarem em uma novela mexicana. São momentos constrangedores. E mesmos os efeitos especiais são extremamente exagerados e superficiais. Até os cenários e figurinos são demasiadamente grandiosos. O Duque do Norte, vilão na história, muda de penteado três vezes durante a projeção. Em comparação com os filmes de Ang Lee e Zhang Yimou, o de Chen Kaige se parece mais com uma paródia ou um desenho animado. A cena inicial está mais para Kung-Fusão (2004) do que para a nobre arte protagonizada pelos cavaleiros Wuxia. Infelizmente, confundem feito extraordinário com babaquice exacerbada.

O cineasta Chen Kaige, que não consegue fazer um filme relevante desde Adeus, Minha Concubina (1993), realiza um exagero visual maçante e pouco original. E talvez o grande culpado sejam os cortes impostos pelos distribuidores norte-americanos. Eles resolveram limar 28 minutos de filme para exibi-lo nos países ocidentais. E reza a lenda que fizeram isso sem o acompanhamento de Chen Kaige. Talvez por isso o filme tenha ficado sem lógica em certas seqüências e com um final que parece ter saído da cartola de um mágico de segunda. A solução é importar a versão chinesa e comparar.